sexta-feira, 9 de outubro de 2015
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Só clichês
Nancy conheceu um garoto no colégio.
Bom aluno, estudioso, era até um dos membros do clube de xadrez. Ninguém
imaginaria tal desfecho. Herman, o garoto, convidou Nancy para um
passeio. Tomar um ponche numa festa na garagem, ouvir o Abbey Road,
último disco dos Beatles. Deu tudo certo, no final, antes de entrar em
casa se despediram com um beijo tímido.
Mas ao acordar no
dia seguinte, Nancy teve uma surpresa ao lembrar do que havia sonhado na
última noite: Era uma casa na colina. Podia ouvir a família dormindo e
roncando. Ouve um barulho. 3 rapazes entram encapuzados nessa casa mas
era como se Nancy não estivesse lá, não fizesse parte da cena. "3 homens
assassinam família à machadas" era a manchete do jornal, que como um
flash interrompe a cena que acontece no sonho de Nancy.
No
dia seguinte, Nancy liga para Herman, e este não atende. Pensa: É
melhor espera-lo ligar - mas dois dias se passam e Hernan não liga.
Nancy vai até a casa dele. Sabia onde Herman morava, era uma colina mas
até então, Nancy não havia notado a coincidência. Um silêncio tenebroso
pairava sobre o ar. Nancy tentou apelar para os outros sentidos: apurou o
olhar para ver se avistava algo estranho mais à frente. E até teria
respirado fundo para tentar perceber se sentia um cheiro diferente ali.
Mas Nancy não sentia cheiro nenhum, sua mãe quando grávida havia tomado
muitas doses de Dramin e isso afetou o olfato de Nancy.
Caminhando
até a casa, Nancy ficava apreensiva e ao chegar percebe que a porta
estava arrombada. Ligou para a guarda local mas sua curiosidade levou a
melhor. Passou pela porta e entrou na casa. Sentiu um cheiro e ficou
surpresa. Pela primeira vez sentiu essa sensação. Um cheiro! Reconheceu
essa sensação.
Os garotos maldosos chamavam Nancy de nariz de fenda mas com suas amigas, Nancy podia desabafar e elas até descreviam como era cheirar.
Os garotos maldosos chamavam Nancy de nariz de fenda mas com suas amigas, Nancy podia desabafar e elas até descreviam como era cheirar.
Nancy sentiu um cheiro de carniça e ouviu um
zumbido de moscas vindo do quarto. Era um cheiro de morte e o que
repousava sob as moscas era o corpo de Herman, mas Nancy não havia
percebido que ele fazia parte do sonho na noite anterior.
Mayra Guanaes
terça-feira, 6 de outubro de 2015
ovo frito
Alô!
Alô, está ocupada?
Depende. O que quer falar?
Sobre minha mãe.
Mas sequer gosto dela - despejei o óleo.
Ela é sua sogra, deveria gostar. Vou visitá-la.
Tá. Liguei o gás.
Irei agora.
Mas assim, do nada? Quebrei a casca.
Vem comigo, vou pegar o trem às 13h.
Não almocei ainda.
Come algo no caminho.
Sabe que eu não consigo sair sem comer, fico mal-humorada.
Não sabia disso.
Hum.
Vem comigo.
Não vou.
Por que?
Não quero.
Você não se importa com nada!
Claro que me importo. Estava queimando.
Eu cansei.
Do que você está falando? Ele gritava e o ovo queimava. Não conseguia tirá-lo da frigideira e conversar ao mesmo tempo.
Cansei do seu fingimento, terminamos aqui.
O ovo que estava na espátula caiu, queimado. Olhei desapontada.
Lá se foi o ovo, lá se foi o almoço, lá se foi o namoro e eu não me importava.
Não tem problema. Estava sem sal mesmo.
Samira Esteter
Alô, está ocupada?
Depende. O que quer falar?
Sobre minha mãe.
Mas sequer gosto dela - despejei o óleo.
Ela é sua sogra, deveria gostar. Vou visitá-la.
Tá. Liguei o gás.
Irei agora.
Mas assim, do nada? Quebrei a casca.
Vem comigo, vou pegar o trem às 13h.
Não almocei ainda.
Come algo no caminho.
Sabe que eu não consigo sair sem comer, fico mal-humorada.
Não sabia disso.
Hum.
Vem comigo.
Não vou.
Por que?
Não quero.
Você não se importa com nada!
Claro que me importo. Estava queimando.
Eu cansei.
Do que você está falando? Ele gritava e o ovo queimava. Não conseguia tirá-lo da frigideira e conversar ao mesmo tempo.
Cansei do seu fingimento, terminamos aqui.
O ovo que estava na espátula caiu, queimado. Olhei desapontada.
Lá se foi o ovo, lá se foi o almoço, lá se foi o namoro e eu não me importava.
Não tem problema. Estava sem sal mesmo.
Samira Esteter
domingo, 4 de outubro de 2015
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
E agora?
____ E agora? O que dizer? Só sei que
somos independentes, cara. Cada um com o seu caminho, cada um com seus medos, desejos
e alegrias. Você agora não sou eu. E nem eu sou você. Veja bem: você é você e
eu sou eu. Somos pessoas diferentes. Tanto no físico, quanto no psíquico,
podemos ser a mesma pessoa, mas nossa essência agora é diferente.
____ Você entende que temos caminhos
diferentes a seguir? Entende que também temos que nos diferenciar em nossas
formas de se vestir, nossas formas de agir, de falar, nossa própria
personalidade? Vai ter que se diferenciar, você entende isso? E vou te dizer
novamente, para que você entenda de vez, mas é só agora e eu não vou dizer
mais. Você agora tem a sua própria identidade, personalidade e eu a minha, pois
agora o espelho se quebrou e você tem que buscar o seu caminho, que eu vou
continuar o meu. Pois você é você, e eu sou eu.
_____ Sei, entendi, mas eu tenho uma pergunta:
_____ Então diga, eu sou só ouvidos.
_____ E tudo que almejamos? Nossos
objetivos... Iremos atrás das mesmas coisas? E até mesmo aquela....
_____ Paixão?
_____ É isso. Você sabe do que estou
falando. Você irá atrás dela?
_____ Sim, por quê?
_____ Desculpa, mas é que esse sentimento também é meu e
irei atrás dela.
______ É mesmo. Presunçoso você, hein.
Mas tenha certeza de uma coisa, meu caro novo ser, atrás dela você não irá,
atrás dela eu é que sempre estarei. Você sabe que foram tantos amores que o que
te resta é... ir atrás de um novo amor. Afinal é um mundo novo que você tem a
descobrir.
_____ Sei, sei... mas você sabe o
quanto foi doloroso, o quanto você sofreu com essas paixões... O nosso é... O seu... É... Sei lá. Só sei que o
seu coração foi de uma alma romântica.
______ Sinceramente, eu não sei.
Busque então outro amor, sei que você irá encontrar. Você sempre esteve
disposto a isso, e isso sempre te renovou, te deu novas esperanças. Tenho fé em
você.
Anderson da Silva Oliveira
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